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A DOLCE & GABBANA VOLTOU A TAORMINA. E, DE REPENTE, TUDO FEZ SENTIDO DE NOVO.

  • 20 de jul.
  • 2 min de leitura

Tem marcas que parecem mais interessantes quando tentam se reinventar. A Dolce & Gabbana é o contrário: quanto mais volta para a Sicília, mais atual parece.



Catorze anos depois de apresentar em Taormina o primeiro capítulo de seu projeto de Alta Moda, Domenico Dolce e Stefano Gabbana voltaram à cidade para mostrar a Alta Sartoria no Teatro Antico. O Mar Jônico, o Etna, as pedras do teatro e mais de dois mil anos de história estavam ali, mas o que mais me chamou atenção não foi a grandiosidade do lugar. Foi a sensação de que aquela coleção não poderia ser apresentada em nenhum outro cenário.




A noite começou inspirada em Cavalleria Rusticana, ópera de Pietro Mascagni atravessada por amor, fé, ciúme e tragédia. Atores locais ocuparam uma taberna do século XIX antes da entrada dos 103 looks. Depois vieram os brocados, os veludos, os bordados dourados, as capas, as rendas e uma alfaiataria masculina que não tinha medo de parecer dramática. Tudo era muito Dolce & Gabbana, sem tentativa de suavizar aquilo que tornou a marca reconhecível.


E talvez seja justamente isso que tenha me interessado tanto.

A Sicília não apareceu como uma referência colocada sobre a coleção para deixá-la mais bonita ou mais emocionante. Ela estava na forma como os homens caminhavam, na intensidade da música, nos materiais, na religiosidade e até no excesso. Não havia uma marca tentando contar uma história sobre um lugar. Havia uma marca voltando para dentro da própria história.


Em um mercado no qual tantas casas parecem pressionadas a apresentar uma nova personalidade a cada temporada, existe algo muito forte em assistir a Dolce & Gabbana aprofundar uma identidade que já existe. Ela não tratou o passado como arquivo, nem Taormina como uma lembrança dos tempos de estreia. Voltou porque ainda havia algo para dizer dali.



Isso serve também para marcas que estão muito longe da alta-costura. Nem sempre o próximo passo está em procurar uma estética nova, acompanhar a referência do momento ou mudar completamente a linguagem. Às vezes, está em reconhecer o que só a sua marca pode contar e ir mais fundo nisso.

No fim, Taormina não foi o cenário mais bonito que a Dolce & Gabbana poderia escolher. Foi o único que fazia sentido. E quando uma marca chega a esse nível de coerência, a imagem deixa de parecer produzida. Parece inevitável.


por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.com

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