A PUMA LEVOU O SUEDE PARA RAJASTÃO.
- há 5 dias
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A PUMA acaba de apresentar uma colaboração com a Jaipur Rugs, marca indiana de tapetes artesanais, para reinterpretar um dos seus modelos mais reconhecíveis: o Suede.

A coleção, chamada The Legacy Lives On, parte de uma frase que explica bem o encontro: “o Suede nasceu nas ruas e a Jaipur Rugs nasceu nas vilas do Rajastão”. Duas origens completamente diferentes, mas com algo em comum… ambas cresceram a partir de pessoas que transformaram técnica em identidade.Visualmente, a PUMA parece ter feito uma escolha inteligente: não levou apenas o nome da Jaipur Rugs para o tênis. Deixou que a linguagem da marca entrasse no produto. Marrom, dusty rose, ocre e areia substituem parte das cores mais óbvias associadas à PUMA, enquanto os materiais, as texturas e toda a campanha partem do universo dos tapetes artesanais do Rajastão. Nos vídeos divulgados pela Jaipur Rugs, artesãos aparecem bordando o próprio logo da PUMA no centro das peças.
É justamente aí que essa collab fica interessante para mim. A moda adora falar sobre artesanato, mas muitas vezes usa o artesanal quase como acabamento… uma textura bonita, uma referência cultural, alguma história sobre “feito à mão” colocada depois que o produto já foi decidido. Aqui, pelo menos no que foi apresentado até agora, o artesanato parece estar mais perto da origem da linguagem visual do que da decoração final.
E isso importa porque a Jaipur Rugs não é uma marca construída em torno de uma estética artesanal inventada para campanha. Fundada em 1978 por Nand Kishore Chaudhary, começou com nove artesãos e dois teares em Churu. Hoje, trabalha com uma rede de cerca de 40 mil artesãos distribuídos por aproximadamente 600 vilas indianas e comercializa seus tapetes em mais de 40 países. A escala cresceu, mas o trabalho manual continuou sendo a estrutura do negócio.

Do outro lado está o Suede, lançado pela PUMA em 1968 e transformado ao longo das décadas em um daqueles produtos que atravessam esporte, música e streetwear sem precisar mudar completamente de forma para continuar reconhecível. Colocar esse ícone ao lado de uma empresa de tapetes poderia facilmente parecer uma parceria feita apenas pela surpresa. Mas a afinidade aparece justamente no processo: uma marca trabalha a memória da rua, a outra trabalha a memória do fazer.
Talvez essa seja a parte que outras marcas deveriam observar. Uma boa colaboração não precisa encontrar duas empresas que vendem coisas parecidas. Precisa encontrar duas empresas que acreditam em algo parecido.

A coleção ainda não teve data de lançamento ou preços divulgados. Mas, antes mesmo de chegar às lojas, já deixa uma pergunta boa para o mercado: quando uma marca decide trabalhar com artesanato, ela quer apenas parecer mais cultural… ou está realmente disposta a deixar o trabalho artesanal mudar o produto? No caso de PUMA x Jaipur Rugs, a resposta parece começar pelo segundo caminho. E isso, para mim, é o que torna a collab interessante antes mesmo de a gente poder comprar o tênis.
por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.com




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