top of page

A ACNE STUDIOS DEVOLVEU DESEJO AO PAPEL.

  • 7 de ago.
  • 2 min de leitura

Para celebrar seus 30 anos, a Acne Studios não escolheu apenas uma campanha retrospectiva. A marca publicou uma nova edição da Acne Paper e levou bancas cor-de-rosa para as ruas de Paris, Londres, Nova York e Tóquio. Em Paris, a revista ocupou um quiosque às margens do Sena e uma livraria especializada; em Londres, apareceu dentro de uma cabine na Soho Square; em Nova York, virou banca no Meatpacking District. A distribuição fazia parte da ideia… encontrar a publicação na cidade era quase tão importante quanto folheá-la.



A edição 21 recebeu o nome Autoportrait e foi construída como um autorretrato dos 30 anos da casa. Não no sentido de organizar uma linha do tempo ou reunir os maiores sucessos, mas de olhar para a rede criativa que ajudou a formar a Acne Studios. Fotógrafos, artistas, modelos e escritores que passaram pela história da marca voltaram a colaborar com a publicação, entre eles Jordan Hemingway, Malick Bodian, Guinevere van Seenus e Katerina Jebb


O que mais me interessa nessa ação é a escolha do formato. Em um momento em que as marcas tentam transformar qualquer lançamento em vídeo curto, conteúdo rápido ou imagem pensada para desaparecer no próximo scroll, a Acne Studios decidiu comemorar três décadas com papel. Não como nostalgia… como posicionamento.

A Acne Paper nasceu em 2005 como uma plataforma cultural da marca, reunindo moda, fotografia, arte, arquitetura e pensamento sem funcionar como catálogo de produto. Depois de encerrar sua primeira fase em 2014, voltou em 2021 em um formato mais próximo de um livro. A revista sempre ajudou a explicar que a Acne Studios não queria existir apenas como uma empresa de roupas. Queria participar de uma conversa cultural maior. 


As bancas cor-de-rosa traduzem isso muito bem. Elas são bonitas, fotografáveis e imediatamente reconhecíveis, mas não terminam na imagem. Existe algo para levar, guardar, reler e colocar numa estante. O público não recebe apenas uma campanha sobre os 30 anos da marca; recebe um objeto que concentra parte desse repertório.

Essa é uma leitura importante para qualquer marca que produz conteúdo: nem tudo precisa ser construído para alcançar o maior número de pessoas no menor tempo possível. Algumas ideias ganham valor justamente porque exigem tempo, presença e escolha. Você precisa encontrar a banca, pegar a revista, abrir as páginas e decidir ficar ali por alguns minutos. Acne Studios não usou o impresso para voltar ao passado. Usou para lembrar que, quando uma marca tem repertório suficiente, o conteúdo também pode virar produto, memória e desejo.


por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.com Fotros Reprodução


Comentários


bottom of page