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O FEED PERFEITO CANSOU.

há 7 minutos
2 min de leitura

Durante anos, as marcas trataram o Instagram como uma vitrine que precisava estar sempre impecável. Grid alinhado, campanha produzida, fotografia perfeita, legenda aprovada por dez pessoas.


Só que agora a própria plataforma começa a apontar para outro caminho: mais bastidor, mais espontaneidade, mais conversa e menos obsessão por parecer pronto o tempo inteiro. Eva Chen, vice-presidente de parcerias de moda da Meta, disse à Vogue que as marcas que estão conseguindo criar mais conexão em 2026 são justamente as que documentam mais e encenam menos.


Reels seguem concentrando grande parte da atenção, mas o ponto mais interessante não está no formato. Está na mudança de comportamento: conteúdo excessivamente produzido começa a perder força quando parece distante demais da vida real. Eu acho que isso conversa diretamente com uma sensação que já vem aparecendo em outros lugares. A gente passou por uma década inteira aprendendo a deixar tudo mais bonito, mais rápido, mais editado e mais eficiente.


Agora, com IA, filtros e ferramentas capazes de entregar uma imagem quase perfeita em segundos, a perfeição deixou de ser rara. E quando ela deixa de ser rara, também deixa de impressionar do mesmo jeito. Talvez por isso o bastidor esteja funcionando tanto. Não porque o público queira conteúdo “malfeito”, mas porque quer sentir que existe alguém ali. Uma pessoa escolhendo, errando, ajustando, mostrando o que aconteceu antes da foto final. O feed perfeito não acabou. Mas deixou de ser suficiente. Talvez o novo luxo da comunicação seja conseguir parecer humano sem perder consistência.


por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.com

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