A GEN ALPHA AINDA NÃO TEM RENDA. MAS JÁ TEM GOSTO.
- há 22 horas
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A geração mais nova do mercado ainda depende dos pais para comprar. Mas isso não significa que ela esteja fora da decisão. Pelo contrário, a Gen Alpha já escolhe tênis, influencia viagens, apresenta marcas aos adultos da casa e chega ao consumo premium muito antes do que as gerações anteriores chegaram.

Uma reportagem recente da Vogue Business sobre o back-to-school de 2026 mostra crianças e adolescentes cada vez mais específicos nas escolhas. Sneakers, mochilas, streetwear, referências Y2K, collabs e drops limitados aparecem no radar de uma geração que descobre produto no TikTok, no YouTube e entre amigos antes mesmo de entrar numa loja.
Quando eu era criança, o repertório de marca vinha muito mais daquilo que existia perto de casa, do que os adultos usavam ou do que aparecia na televisão. A Gen Alpha cresceu com acesso imediato a praticamente tudo. Uma menina de 12 anos pode descobrir uma marca pequena de streetwear em outro país, pesquisar quem fundou, entender por que aquele produto virou desejo e chegar aos pais já com uma opinião formada.
A Vogue Business encontrou exatamente esse comportamento. Pais relatam que os filhos apresentam marcas que eles próprios nunca tinham ouvido falar, e a GWI aponta que a maioria das crianças entre oito e 11 anos já participa das decisões de compra da casa. Uma mãe ouvida pela publicação estima que a filha adolescente influencia cerca de metade dos gastos discricionários da família.

Isso muda muito a forma como eu acho que as marcas deveriam olhar para essa geração.
Não faz sentido tratá-la apenas como “o consumidor do futuro”. Ela já está interferindo no consumo do presente. Ainda não paga a conta, mas influencia a escolha do restaurante, do destino da viagem, do tênis, da beleza, da tecnologia e até das marcas que entram na casa. Segundo dados reunidos pela Vogue Business, a Gen Alpha já movimenta cerca de US$ 100 bilhões diretamente e pode alcançar um poder de influência de trilhões de dólares até o fim da década.

No luxo, isso fica ainda mais interessante. A Bain observa que os Alphas entram em contato com marcas premium muito mais cedo do que a Gen Z, justamente por terem crescido num ambiente hiperdigital. Mas isso não significa que respondam aos mesmos símbolos de status. O que aparece com força é individualidade: descobrir algo antes dos outros, encontrar uma marca pequena, entender a história de um produto, ter algo que ajude a construir uma identidade própria. Talvez o erro seja perguntar quando essa geração vai começar a consumir luxo.
Ela já começou a aprender como escolher e, quando tiver renda própria, provavelmente vai chegar ao mercado com muito menos paciência para marcas que acreditam que nome e logotipo ainda bastam…
por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.com
foto reprodução/pinterest



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