O MERCADO CRIATIVO CRESCEU. O ESPAÇO PARA AS MARCAS SE APRESENTAREM A ELE AINDA NÃO.
- há 6 dias
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A ausência de um evento de referência em 2026 revelou um problema que vai além do calendário: marcas de alto padrão no segmento de arquitetura, design e decoração não têm, no Centro-Oeste, um contexto físico à altura do público que precisam alcançar. Essa lacuna tem custo. E o mercado começa a calcular.
Para uma marca de alto padrão que opera no segmento de arquitetura e design, a questão raramente é falta de cliente. Em Campo Grande, o cliente existe, o ticket médio existe, o profissional de projeto que especifica o produto existe. O que não existe é o contexto físico onde a marca pode se apresentar de forma adequada a esse ecossistema. O showroom resolve parte da equação, mas não cria o encontro qualificado que o segmento precisa: aquele em que o produto está em uso real, o especificador está em modo de referência, e a marca tem condições de construir relação sem a pressão imediata de uma negociação.
Os grandes eventos de arquitetura e design cumprem esse papel de forma que nenhum outro formato consegue replicar.
Para as marcas, funcionam como a plataforma onde o relacionamento com arquitetos, designers de interiores e decoradores acontece de forma orgânica, dentro de um contexto em que produto e uso compartilham o mesmo espaço. O profissional de projeto não vai a esse tipo de evento para ser convencido. Vai para sentir o material, entender a proposta, criar a memória de uso que vai determinar a especificação no próximo projeto. Esse tipo de contato não tem equivalente digital.
Quando esse formato deixa de acontecer numa praça, as marcas que dependiam dele ficam sem substituto. Algumas tentam criar ativações próprias; outras simplesmente adiam a presença no mercado. Nenhuma das duas respostas resolve o problema estrutural. A ativação própria sem o contexto coletivo perde a densidade de encontros que é justamente o que torna o formato valioso. E adiar presença num mercado em movimento é ceder espaço para quem estava disposto a aparecer de outra forma.
O que torna esse vazio mais significativo é o momento em que ele acontece. Os núcleos de arquitetura de Campo Grande nunca estiveram tão organizados. Profissionais com repertório, com produção consistente e com clientes cada vez mais exigentes formam hoje uma comunidade ativa, com obras de referência e com projetos que demandam materiais, acabamentos e produtos que as marcas de alto padrão têm a oferecer. O público que justificaria uma plataforma de apresentação premium não está em formação. Já está ativo e operando. O que está faltando é o espaço que o receba à altura.
O custo estratégico dessa lacuna raramente aparece de forma explícita nos relatórios de marketing. Ele surge como especificação que foi para o concorrente, como projeto que escolheu um material que o arquiteto conheceu numa visita a São Paulo, como cliente que comprou de uma marca que o profissional de projeto recomendou porque foi a única com quem construiu referência presencial. Cada ano sem presença física qualificada nesse mercado é um ano em que a marca não existe na memória de uso do especificador local. E a memória de uso é o que determina a especificação, que é o que determina a venda.
O mercado não costuma esperar que um formato antigo retorne quando percebe uma lacuna com esse perfil. O que acontece é que alguém calcula a lacuna, entende que o público está pronto e que a infraestrutura é o único elemento que falta, e decide criar o próximo formato em vez de aguardar o anterior. Em Campo Grande, esse cálculo já está sendo feito.
por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.com




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