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OS ANIMAIS ESTÃO EM TODAS AS CAMPANHAS. E NÃO É SÓ PORQUE SÃO FOFOS.

  • 22 de jul.
  • 2 min de leitura

Dez cavalos entraram na passarela antes das modelos no desfile de Stella McCartney em Paris. A Jacquemus colocou uma lhama ao lado de Jon Gries numa campanha construída no humor e no absurdo.



A Louis Vuitton transformou a relação entre cães e seus donos em ponto de partida para uma coleção inteira… roupas, coleiras, guias e acessórios para os animais. Quando marcas tão diferentes chegam ao mesmo lugar, dificilmente é coincidência. Vale entender o que está por trás.


A primeira explicação parece óbvia: animais chamam atenção. Mas existe algo mais interessante acontecendo. Uma análise de 195 comerciais exibidos nos Estados Unidos mostrou que anúncios com animais alcançam os níveis mais altos de resposta emocional e atenção… mais surpresa, mais alegria, percepção mais favorável da marca do que campanhas construídas apenas com modelos humanos. Os números confirmam o que o instinto já sabia. Só que os números explicam apenas uma parte.


O que importa entender é por que isso funciona especialmente bem para marcas de luxo. Durante muito tempo, o alto padrão construiu desejo pela distância: pessoas perfeitas, ambientes inacessíveis, imagens tão controladas que pareciam não pertencer à vida real. O animal entra e quebra essa rigidez sem precisar abandonar a estética. Ele traz movimento, imprevisibilidade, afeto e às vezes humor. Uma campanha sofisticada deixa de parecer fria sem perder nenhum dos seus valores.


O que diferencia os casos que funcionam dos que não funcionam é onde o animal aparece dentro do processo criativo. Na Jacquemus, a lhama reforça a estranheza divertida de uma marca que nunca tratou o luxo com solenidade demais. Na Louis Vuitton, os cães representam uma forma de vida e uma relação emocional que a coleção transforma em produto. Em Stella McCartney, os cavalos conversam diretamente com uma história pessoal e com o posicionamento da designer sobre uma moda sem couro, pele ou penas. O animal funciona porque não foi colocado depois da ideia. Ele já estava dentro dela.


Essa é a parte que qualquer marca pode retirar desse movimento: não basta colocar um cachorro bonito na campanha e esperar conexão. O público percebe quando existe apenas um recurso para interromper o feed. Antes de escolher o animal, a pergunta deveria ser: "o que ele traduz sobre a marca?" Liberdade, humor, força, companheirismo, cuidado, origem?


Quando essa resposta existe, o animal ajuda a contar uma história que talvez uma pessoa, sozinha, não conseguisse contar.

Talvez seja por isso que essas imagens permanecem na memória. Em um mercado cheio de campanhas muito bonitas e muito parecidas, os animais devolvem algo que a comunicação perdeu tentando ser perfeita: vida. O animal não deve ser o truque da campanha. Deve ser a parte viva daquilo que a marca quer dizer.


por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.com



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