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NÃO É PUBLI. É ARTE. A ESTRATÉGIA SILENCIOSA (E GENIAL) DA HERMÈS NO DIGITAL

24 de jul. de 2025
2 min de leitura

Você viu os posts artísticos da Hermès no Instagram? Eles não surgiram por acaso.

 

Esse ano, em apenas sete meses de 2025, a maison já comissionou cerca de 50 artistas para desenvolver conteúdos visuais exclusivos para suas redes.

 

Mais do que posts bonitos, é uma estratégia que reforça seu papel de referência criativa no mercado de Luxo.


Uma prateleira digital de arte

Esses conteúdos incluem desde vídeos de artesãos em ação até colaborações experimentais com ilustradores e animadores digitais, tudo com forte viés artístico. E, ao contrário de marcas que internamente produzem seus vídeos institucionais, Hermès tem apostado em vozes externas, verdadeiras expressões de arte, para contar sua história visual.

 

Essa escolha é estratégica: a casa não quer criar anúncios, notícias típicas de marketing. Quer ganhar prestígio cultural, agregando valor à sua imagem por meio da produção artística.



Por que isso é relevante em branding?

  1. Continuidade da narrativa artesanal


    Ao curar vídeos e ilustrações, Hermès reforça seu legado de craftsmanship. Cada conteúdo se torna uma extensão do ateliê, com a casa mantendo sua aura de exclusividade e autenticidade.

  2. Ampliação do alcance com legitimidade


    Esses artistas têm comunidades próprias e oferecem uma via indireta para novos públicos, mas com credibilidade editorial. Hermès não empurra propaganda: aparece como editora de arte.

  3. Novo Luxo, nova linguagem


    Em vez de gritar “compre nossos produtos”, Hermès sussurra “veja o que a nossa marca inspira”. E inspira arte. A distinção é sutil, mas poderosa.

  4. Estratégia de exclusividade digital


    As obras são limitadas, não massificadas: os artistas são selecionados, convidados a criar conteúdos únicos que só existem ali, reforçando a noção de “arte rara” que caracteriza a maison.



Resultado? Um storytelling que rende efeitos concretos

Segundo análises do mercado, essa abordagem diferenciada é um dos fatores por trás do crescimento de 11% em receita naquele trimestre, totalizando €3,7 bilhões. E não é difícil entender o porquê: ao humanizar a marca com arte, Hermès conquista atenção, admiração e retenção do público, essenciais para quem constrói valor sobretudo por reputação.

 


Minha visão sobre essa estratégia

Hermès escapa com elegância da era da propaganda tradicional e isso demanda coragem. Comissionar arte em escala, cerca de 50 artistas num semestre, mostra que a marca entende:

  • O digital não é só vitrine;

  • A exclusividade pode ser cultural, não apenas comercial;

  • A conexão emocional é mais forte que o anúncio.


Em um mundo saturado de marketing, Hermès ouviu os ecos da própria história, oficinas, ilustrações, artesãos e trouxe isso ao feed.

 

Com isso, a maison não só conversa com seu público, mas conecta com quem ama arte, e reconhece valor onde o valor existe de verdade.

 

Hermès não está vendendo bolsas hoje: está vendendo um ideal de arte, cultura e história, e transformando seu feed em uma coleção desejada por sua lógica e beleza.

 

Por Bia Figueiredo

Estrategista de branding e especialista em mercado de Luxo

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