A LOUIS VUITTON GASTOU MILHÕES PARA CRIAR ALGO QUE O MUNDO COMPARTILHOU DE GRAÇA
- 29 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de jul.
No dia 23 de junho, Pharrell Williams construiu uma praia completa no coração de Paris: onda de 8 metros, areia real, água da rede municipal. O mundo inteiro parou para ver. Isso não é moda, é estratégia de conteúdo operando na escala mais alta que existe.
Existe uma pergunta que as marcas de alto padrão raramente fazem em voz alta porque a resposta é desconfortável: quanto custa uma campanha que o mundo inteiro compartilha voluntariamente? A Louis Vuitton sabe a resposta e, no dia 23 de junho, Pharrell Williams entregou mais uma vez.

O desfile SS27 masculino aconteceu na Cité Internationale Universitaire de Paris. A cenografia era uma onda de 8 metros de altura e mais de 37 metros de largura, com água real fornecida pela rede municipal de Paris, areia cobrindo todo o chão, uma passarela no estilo boardwalk costeiro. A produção foi devolvida ao meio ambiente, a água retornou ao sistema de esgoto em circuito fechado e a areia foi doada às quadras de vôlei de praia da universidade. O espetáculo não deixou desperdício, deixou imagem.
Essa imagem percorreu o mundo em horas. Não porque alguém pagou para distribuí-la, porque as pessoas quiseram compartilhar. Essa é a distinção que importa para qualquer profissional de branding: mídia comprada chega onde você manda, mídia earned chega onde o público decide levar. O desfile da Louis Vuitton é, tecnicamente, um evento de moda. Estrategicamente, é a campanha de relações públicas mais eficiente do planeta.

Pharrell entende algo que poucos diretores criativos verbalizam com clareza: o produto que sai no desfile é secundário ao produto que é o próprio desfile. A coleção SS27 vai às lojas meses depois. A conversa sobre a praia em Paris aconteceu em tempo real, com bilhões de impressões orgânicas, cobertura espontânea de todos os veículos relevantes do planeta e um posicionamento de marca que nenhum budget de mídia convencional conseguiria comprar.
O precedente para entender a escala disso é o trem a vapor que Marc Jacobs colocou dentro do Louvre para a Louis Vuitton em 2012, estimado em 8 milhões de dólares de produção, ainda citado como o maior espetáculo da história dos desfiles. Pharrell está operando na mesma lógica, atualizando o vocabulário: em vez do monumental e histórico, o sensorial e acessível. Uma praia convida e um convite viaja mais longe do que um monumento.
O que as marcas que acompanham isso de fora precisam entender não é o orçamento... é a mentalidade! A pergunta que a Louis Vuitton faz não é 'como mostramos nossa coleção?' É 'como criamos uma experiência que o mundo vai querer contar?' São perguntas diferentes e produzem resultados completamente diferentes.
Well done Pharrel.
por Bia Figueiredo
Estrategista de branding e especialista em mercado de Luxo
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