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O RETORNO AO ESSENCIAL: O QUE O CEO DA PRADA REVELA SOBRE ESSE MOVIMENTO

  • Foto do escritor: Adriano Straliotto
    Adriano Straliotto
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

O mercado de Luxo vive um ponto de inflexão. Depois de anos de euforia, aumento fácil de preços e consumidores sedentos por novidade, o setor entrou em um novo ciclo… mais exigente, mais crítico e, sobretudo, mais cultural.E poucas falas sintetizam tão bem esse momento quanto as ideias recentemente defendidas por Andrea Guerra, CEO do Grupo Prada.

O que ele deixa claro é simples, mas profundo: o Luxo voltou ao seu eixo. Voltou ao essencial. Voltou à essência.

1. Se o produto não carrega emoção, sobra apenas o preço

Durante anos, muitas marcas se apoiaram na inflação do desejo e na força de um mercado superaquecido. A equação era quase automática: mais demanda, preços mais altos.

Mas esse ciclo se encerrou.

Segundo Guerra, se a marca não consegue vender emoção, significado e narrativa, a conversa inevitavelmente desce para preço e isso é um fracasso estratégico.O Luxo é, e sempre será, uma compra emocional antes de ser racional. Quando a emoção desaparece, o valor percebido também desaparece.

Esse é o ponto central: o Luxo que dá certo é o Luxo que toca.

2. O DNA é sagrado e não é negociável

Num mundo que cobra inovação constante, algumas marcas confundiram novidade com distorção. Guerra lembra algo que o mercado parece ter esquecido:o DNA de uma marca pode ser esticado, reinterpretado, tensionado… mas nunca destruído.

É justamente esse DNA que cria reconhecimento, pertencimento e território simbólico.É onde a marca é autêntica.É onde ela é insubstituível.

O recado é claro: para avançar, muitas marcas precisam, paradoxalmente, voltar alguns anos. Recuperar seus códigos. Revisitar sua própria verdade.Inovar sem raízes é apenas barulho.

3. Crescimento por cultura, não por exploração

A Prada segue crescendo porque escolheu um caminho mais inteligente:

  • cultivar seu DNA;

  • curar com disciplina;

  • criar pontes fortes com a cultura contemporânea;

  • aceitar o debate, a opinião, a discussão.

Guerra resume isso de forma magistral:Prada é cultura. E cultura é conversa. Cultura é confronto de opiniões. Cultura é movimento.

É dessa fricção, desse debate vivo, desse choque de repertórios que nascem as ideias que mantêm a marca relevante.

O Luxo que permanece não é o Luxo estático:é o Luxo que se expõe, que se abre ao mundo, que absorve e devolve significado.

4. O mercado normalizou e isso é ótimo para quem sabe o que está fazendo

Quando Guerra diz “voltamos ao normal”, ele não fala de retração:ele fala de maturidade.

O novo normal exige:

  • profundidade estratégica

  • consistência estética

  • coerência de longo prazo

  • narrativas que geram valor, não só desejo

  • experiências que justificam a existência da marca

É um mercado menos indulgente e mais criterioso.E, na visão dele, isso é excelente: separa quem constrói marca de quem só vendia moda.

5. O Luxo do futuro é menos vertical e mais dialógico

Acabou a era em que a marca ditava e o público aceitava.O Luxo que Guerra enxerga é horizontal, baseado em troca e interpretação cultural.

A marca influencia, mas também é influenciada.Ela conduz, mas também escuta.Ela cria, mas também é criada pelos olhares ao redor.

Essa troca permanente gera oxigênio, renova símbolos e mantém relevância.

Conclusão: o Luxo que sobrevive não é o que cresce, é o que permanece verdadeiro

O que Andrea Guerra revela é um mapa estratégico para o futuro do alto padrão:

  •  emoção é estratégia

  •  DNA é fronteira

  •  cultura é motor

  • autenticidade é vantagem competitiva

  • consistência é o novo luxo

Marcas que entendem isso não precisam temer o novo ciclo.Elas não disputam preço.Elas disputam significado.

E significado… esse, sim, é o ativo mais nobre do mercado de Luxo.

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Bia Figueiredo

Branding, curadoria e comportamento no mercado de Luxo.

Para marcas que entendem que elegância é também uma forma de estratégia.

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