A RALPH LAUREN CELEBROU 60 ANOS EM TÓQUIO COM UM FESTIVAL DE VINTAGE.
O PoloFest aconteceu em Harajuku com exposição de arquivo, marketplace com 17 dealers, artesãos japoneses upcyclando peças antigas e entrada gratuita. A escolha de Tóquio, e de um festival dedicado ao que já existe, diz mais sobre a marca do que qualquer lançamento poderia dizer.

Entre os dias 23 e 25 de outubro, a Ralph Lauren realizou o PoloFest no Jing Harajuku, em Shibuya: três dias dedicados aos colecionadores da marca, com exposição de peças raras de arquivo, marketplace reunindo 17 dealers de vintage, artesãos japoneses transformando peças antigas com técnicas tradicionais de restauro e remendo, série de palestras sobre a influência cultural do Polo, e entrada gratuita via comunidade no LINE da marca. O evento marca o início das celebrações dos 60 anos da Ralph Lauren e também os 50 anos da marca no Japão, e a escolha de Tóquio sobre Nova York e Londres foi deliberada.
Em Harajuku existem lojas inteiras dedicadas a peças de arquivo do Polo, colecionadores que passaram décadas reunindo edições específicas de Polo shirts, e uma cultura de reverência pelo vintage americano que moldou partes inteiras da moda japonesa contemporânea. Ao escolher Tóquio, a Ralph Lauren foi ao mercado que mais amou a marca por mais tempo, e esse gesto carrega um peso diferente de qualquer lançamento.
O que me interessa no PoloFest é a declaração de que uma marca escolhe celebrar décadas olhando para o que já existe. Não há nova coleção no centro do evento, não há lançamento, não há campanha de awareness. O que está no centro são os colecionadores, as peças que já existem e os artesãos que dão nova vida ao que foi usado. Num setor que gasta energia imensa convencendo o cliente de que o próximo lançamento é o mais importante, a Ralph Lauren fez o movimento oposto, e foi exatamente por isso que o mundo prestou atenção.
Para qualquer marca pensando em como celebrar um marco, o PoloFest coloca uma questão direta: o aniversário pertence à marca ou a quem ficou com ela ao longo do tempo? A maioria das celebrações olha para dentro, conta sua própria história e convida o cliente para assistir. A Ralph Lauren colocou os colecionadores, os dealers e os artesãos locais no centro. Isso não é filantropia, é uma estratégia de fidelização que constrói o tipo de comunidade que nenhuma campanha paga consegue criar. por Bia Figueiredo — Estrategista de branding e especialista em mercado de luxo. Quer sua marca analisada com profundidade e sensibilidade? Entre em contato para propor parcerias editoriais ou branded content exclusivo: contato@biafigueiredobf.co



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